quarta-feira, 2 de junho de 2010

Uma rosa

 Logo eu que pensava que nunca estaria sozinha, que nunca ficaria longe da família e de amigos, me encontro sentada num banco de uma praça deserta, totalmente só. Pergunto à mim mesma, a razão de estar ali, de não ter alguém ao meu lado. Viro minha cabeça para o grande espaço vazio do banco, incompleto.
 Lembro-me dos dias em que estive muito feliz, agradecendo sempre por ter pessoas ao meu lado. Vejo meus olhos se encherem d'água. Pisco e sinto elas escorrerem com tanta tristeza, mas eu sorrio e agradeço novamente por ter tido momentos bons em minha vida.
 De repente, vem um grande vento. Fecho minhas pálpebras. É quando eu posso sentir o frio do meu coração, o frio da minha vida, da minha rotina toda calculada. Me lembro do trabalho. Ele que parece ser tão útil, tão importante, não é tão bom assim quando você exagera, quando você passa dos seus limites, trocando sua família e amigos por ele, por dinheiro. Enquanto o vento assovia com muita força, sei que eles levam meu choro de arrependimento.
  Surpreendemente, o vento tão frio e sombrio para. Abro meus olhos, focalizados no mesmo espaço do banco, e vejo uma linda rosa branca. Sem saber de onde a bela flor veio, eu sinto uma grande felicidade esquentar meu corpo do frio que acabara de passar. Sinto uma alegria imensa, me lembrando de repente, com muita força de todos, todos os momentos felizes da minha vida. Até mesmo os insignificantes. Procuro a pessoa que deixara a rosa ali, mas à minha volta não vejo ninguém.
 Sem pensar em mais nenhum instante, peguei meu carro e fui visitar quem eu tanto amava.

PorBella