quinta-feira, 21 de junho de 2012

Manhã de domingo

Artista desconhecido

Sentada numa escada estava ela um dia desses. Vestindo calça jeans e uma camiseta nerd colada ao seu sketchbook. Não sei o que ela estava desenhando mas estava bem entretida. De vez enquando parava para acertar os grandes óculos que não paravam em seu nariz de batata. Em outras levantava a cabeça e olhava ao seu redor como se voltasse a terra mesmo que por alguns segundos.

Nestes segundos ela para e olha para quem está numa boa posição ou é digno de um espaço em seu caderno.  Não que ele seja de extrema importância  ou de extremo capricho – na verdade ela o acha monótono demais para ser considerado arte -, mas para praticar técnicas ainda não aprendidas. É muita imaginação para se tirar de uma cabeça só.

Sempre que fazia essas paradas, ela fotografava o que via e voltava a direção de seus olhos para o caderno. Mas dessa vez  ela o fechou e observou todos presentes naquela imensa praça da manhã de domingo. Nada de interessante, havia apenas alguns jovens encostados numa árvore ou então senhoras e senhores andando para continuarem saudáveis.  

“Por que eu não tenho ideias para desenho e porque todos os rostos têm a mesma feição?” perguntava-se ela a maioria das vezes. E não pensem que ela não sabia da resposta, não. Pois dessa ela sabia de cor e saltiado.

Ela era apenas uma de muitas outras pessoas que vivem atrás de livros, internet  ou de curta-metragens com suas próprias teorias para diversos assuntos e um mundo inteiro montado em seus apenas dezesseis anos. O que faltava era sair das páginas de papel para viver o mundo real ainda não contado por livros ou filmes.

PorBella